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Cirurgia Plástica

Antes e depois na cirurgia plástica: o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite

Câmera com a tampa na lente, pasta preta com óculos e fotos em branco sobre uma mesa de madeira
Resposta rápida

Sim, o cirurgião plástico pode publicar antes e depois desde 11 de março de 2024, mas só em um conjunto de imagens com indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, acompanhado de texto educativo, sem edição e sem identificar o paciente, conforme o artigo 14, inciso II, da Resolução CFM nº 2.336/2023.

"Pode postar antes e depois?" é a pergunta mais repetida da especialidade, e a resposta mudou. Boa parte do que se lê na internet ainda responde pela regra antiga; outra boa parte diz que agora pode, e para aí. As duas respostas estão erradas pelo mesmo motivo: nenhuma leu o texto inteiro.

Este guia reúne, com o texto da norma, o que dizia a regra antiga, o que diz a atual, o que continua proibido e — o que mais interessa no dia a dia — como montar uma postagem de resultados que cumpre a condição. Os outros guias de marketing para cirurgião plástico tratam de captação; este trata do conteúdo que mais gera dúvida no marketing para cirurgia plástica.

A regra antiga: proibido, mesmo com autorização

A Resolução CFM nº 1.974/2011, no artigo 3º, alínea g, vedava ao médico expor a figura de seu paciente como forma de divulgar técnica, método ou resultado de tratamento, ainda que com autorização expressa do mesmo. Foi a regra por doze anos. Ela foi revogada pela Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024.

A regra nova: permitido, dentro de um conjunto

O artigo 14 da Resolução CFM nº 2.336/2023 permite o uso de imagem de pacientes com finalidade educativa, e o inciso II trata da demonstração de resultados. As três primeiras alíneas são o coração da regra:

  • Alínea a — qualquer uso de imagem deve ser acompanhado de texto educativo contendo as indicações terapêuticas, fatores que influenciam possíveis resultados e descrição das complicações descritas em literatura científica.
  • Alínea b — demonstrações de antes e depois devem ser apresentadas em um conjunto de imagens contendo indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações decorrentes da intervenção, sendo vedada a demonstração e o ensino de técnicas que devem se limitar ao ambiente médico.
  • Alínea c — quando aplicável, apresentar evolução para diferentes biotipos e faixas etárias, e evoluções imediatas, mediatas e tardias.

Leia a alínea b de novo, devagar. O antes e depois não é uma foto boa ao lado de uma foto ruim. É um conjunto que mostra também o resultado insatisfatório e a complicação. A postagem com o melhor resultado do ano, sozinha, continua fora da regra — agora por outro motivo.

O que "conjunto" quer dizer na prática

A palavra que muda tudo é conjunto. A alínea b não pede o melhor caso do ano com uma legenda cuidadosa. Pede que a demonstração reúna quatro elementos, e isso muda a forma de pensar a postagem: ela deixa de ser vitrine e passa a ser uma aula curta sobre o procedimento.

  • Indicação — para quem o procedimento foi indicado, em cada caso mostrado.
  • Evolução satisfatória — o resultado esperado, no tempo em que ele aparece.
  • Evolução insatisfatória — um caso em que o resultado ficou aquém do esperado.
  • Complicação — uma complicação decorrente da intervenção, descrita com clareza.

Mostrar o insatisfatório e a complicação assusta à primeira vista. Mas é exatamente o que o paciente que está decidindo quer saber, e o que o separa do curioso: quem lê um conjunto honesto e continua interessado chega à avaliação com expectativa realista.

Como fica uma postagem que cumpre a regra

  1. Um conjunto de casos, não um caso.
  2. No conjunto, evolução satisfatória, evolução insatisfatória e complicação.
  3. Texto educativo com a indicação, o que influencia o resultado e as complicações descritas na literatura.
  4. Quando fizer sentido, biotipos e idades diferentes, e o resultado em tempos diferentes.
  5. Nenhum paciente identificável.
  6. Nenhuma edição na imagem.
  7. Autorização do paciente guardada.

Um roteiro de carrossel

O formato que mais se presta a isso é o carrossel, com o texto educativo na legenda. Um roteiro possível, para um procedimento só:

  1. Capa — o procedimento e a pergunta que o conjunto responde, como "Abdominoplastia: o que esperar do resultado".
  2. Indicação — para quem o procedimento é indicado, em uma lâmina.
  3. Evoluções satisfatórias — com o tempo de pós-operatório de cada imagem.
  4. Evolução insatisfatória — com o que influenciou o resultado.
  5. Complicação — descrita com clareza.
  6. Tempos e biotipos — quando fizer sentido, o resultado em tempos diferentes e em biotipos e idades diferentes.
  7. Fechamento — o que a avaliação individual responde e como marcá-la.

Não por acaso, é o mesmo formato que qualifica o paciente — como mostramos em como atrair paciente qualificado para a avaliação. O que postar nos outros formatos do perfil está em Instagram para cirurgião plástico.

O texto educativo: o que escrever na legenda

A alínea a pede três coisas no texto que acompanha qualquer imagem: as indicações terapêuticas, os fatores que influenciam possíveis resultados e a descrição das complicações descritas em literatura científica. Uma legenda que cumpre isso tem, em geral, quatro blocos curtos:

  1. Para quem é — a indicação, em linguagem simples.
  2. O que influencia o resultado — os fatores de cada paciente que fazem o resultado variar, os mesmos que você discute na avaliação.
  3. O que pode acontecer — as complicações descritas na literatura para aquele procedimento, sem minimizar.
  4. O próximo passo — a avaliação individual, que é onde cada caso é analisado.

A parte clínica é sua: quem escreve a legenda pode organizar o texto, mas a indicação, os fatores e as complicações precisam sair do cirurgião. É também a legenda que mais ajuda o paciente a decidir.

Fotografia: padronizar para não seduzir

O artigo 11, §2º, alínea f, trata como sensacionalismo usar de forma abusiva, enganosa ou sedutora representações visuais que induzam à percepção de garantia de resultados. Luz e ângulo diferentes entre o antes e o depois produzem exatamente esse efeito, mesmo sem edição. A saída é um protocolo de fotografia igual para todas as imagens do conjunto:

  • mesmo fundo, neutro e sem nenhum elemento reconhecível;
  • mesma luz, de preferência fixa, sem depender da luz da janela;
  • mesma distância e mesma altura da câmera;
  • mesmas posições do paciente, repetidas em cada foto;
  • mesma roupa, ou a mesma ausência dela, sem acessórios;
  • data de cada foto anotada, para informar o tempo de evolução.

E nenhuma correção depois: a alínea f do artigo 14 veda qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens. Filtro é edição.

O que continua proibido

  • Identificar o paciente — alínea e: é vedado o uso de imagens de procedimentos que identifique o paciente. Rosto, tatuagem, marca de nascença e cenário reconhecível contam.
  • Editar a imagem — alínea f: é vedada qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens.
  • Filmar o procedimento com equipe externa — alínea d: a captura de imagens por equipes externas durante procedimentos só é autorizada em partos.
  • Transmitir ao vivo — o artigo 11, inciso VIII, veda expor consultas e procedimentos transmitidos em tempo real, ainda que com autorização expressa do paciente.
  • Imagem que seduz — o artigo 11, §2º, alínea f, visto acima: a representação visual que induz à percepção de garantia de resultado.

Autorização não basta

A alínea i trata das imagens do banco do próprio médico e pede três coisas: obter autorização do paciente, respeitar o pudor e a privacidade de quem cedeu as imagens e garantir o anonimato do paciente, mesmo que tenha recebido autorização para divulgação. O Código de Ética Médica vai na mesma direção: o artigo 75 veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis em anúncios profissionais, mesmo com autorização. A autorização é necessária; ela não libera identificar.

Na prática, dois hábitos resolvem a maior parte dos problemas: um termo de autorização assinado por paciente, guardado pelo consultório, e uma checagem de anonimato antes de cada publicação — rosto, tatuagem, marca de nascença, joia, cenário. Na dúvida, a imagem não entra.

Quando quem posta é o paciente

Dois parágrafos do artigo 8º pegam a especialidade de surpresa. O §3º diz que postagem de paciente repostada pelo médico passa a ser considerada publicação do próprio médico. E o §4º vai além: publicações de pacientes com elogios à técnica e ao resultado, ainda que não compartilhadas nas redes do médico, devem ser investigadas pela Codame quando ocorrerem de modo reiterado ou sistemático. Campanha de "poste seu resultado e me marque" é o caminho mais curto para esse parágrafo.

O que fazer em vez disso: agradecer em mensagem privada, não repostar o resultado e não criar ações que peçam ao paciente para postar e marcar o perfil. Se tiver dúvida sobre uma ação específica, a Codame do seu CRM é o lugar para perguntar.

A galeria do site segue a mesma condição

A condição do artigo 14, inciso II, vale também para a galeria de resultados do site: conjunto de casos com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, texto educativo, nenhuma edição, nenhum paciente identificável e a autorização de cada um guardada. A galeria com os dez melhores resultados, que era o padrão de muito site de cirurgia plástica, não cumpre a condição. O que mais a página de cada procedimento precisa ter está em site para cirurgião plástico.

Marketing para cirurgia plástica sem o "melhor resultado do ano"

Quem tira do ar a galeria dos melhores resultados costuma perguntar o que pôr no lugar. No marketing para cirurgião plástico, o conteúdo que mais forma paciente qualificado nem depende de imagem de paciente:

  • a indicação de cada procedimento, e quando ele não é a melhor resposta;
  • a recuperação, semana a semana;
  • o que acontece na consulta de avaliação;
  • quem é o cirurgião, a equipe e a estrutura;
  • as dúvidas que mais chegam ao WhatsApp, respondidas uma a uma.

O conjunto de resultados, quando entra, entra como uma peça educativa entre as outras, e não como a vitrine do perfil.

A mesma regra, outras especialidades

A resolução é uma só para todas as especialidades, e a leitura muda conforme a prática. Na urologia, por exemplo, a imagem pesa pouco e o problema é outro — o uso do medo nas campanhas, analisado em o que o urologista pode anunciar.

Quando a Tribo faz isso por você

Na assessoria de Instagram para cirurgião plástico, a Tribo, agência de marketing para cirurgião plástico, escreve, desenha e publica o conteúdo do perfil com a sua aprovação antes de cada peça. Quando o tema é sensível — e resultado de cirurgia é —, a equipe orienta o que pode e o que não pode antes de produzir, e a parte clínica do texto educativo passa por você. O processo é o da página de Instagram para médicos: briefing na primeira semana, identidade e estrutura do perfil, plano mensal aprovado por você, produção e publicação a partir da terceira semana e relatório com reunião no fim de cada mês.

O perfil é uma parte do caminho. O anúncio leva quem busca o procedimento à página dele, na assessoria de Google Ads para cirurgião plástico; o site transforma a visita em avaliação, na criação de site para cirurgião plástico; e a assessoria de marketing para cirurgião plástico coordena tudo pelo Método Posicionamento Premium.

Texto conferido na íntegra das Resoluções CFM nº 2.336/2023 e nº 1.974/2011 e do Código de Ética Médica, publicados pelo Conselho Federal de Medicina. Este artigo não substitui a leitura da norma nem orientação jurídica; para uma peça específica, consulte a Codame do seu CRM.

Perguntas frequentes

Cirurgião plástico pode postar antes e depois?

Pode, desde 11 de março de 2024, dentro de uma condição. O artigo 14, inciso II, alínea b, da Resolução CFM nº 2.336/2023 exige que as demonstrações de antes e depois sejam apresentadas em um conjunto de imagens com indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações. Mostrar só o melhor resultado continua fora da regra.

O que a regra antiga dizia?

A Resolução CFM nº 1.974/2011, no artigo 3º, alínea g, vedava expor a figura do paciente para divulgar técnica, método ou resultado de tratamento, ainda que com autorização expressa. Ela foi revogada pela Resolução CFM nº 2.336/2023.

Posso publicar só o melhor resultado, com uma legenda educativa?

Não. O texto educativo da alínea a é necessário, mas não substitui o conjunto da alínea b: a demonstração precisa reunir indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações. Um caso isolado, por melhor que seja a legenda, não cumpre a condição.

Posso usar filtro ou ajustar a foto?

Não. A alínea f do mesmo inciso veda qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens. Diferenças de luz e ângulo entre o antes e o depois também podem ser enquadradas como sensacionalismo pelo artigo 11, §2º, alínea f.

Como padronizar as fotos de antes e depois?

Com um protocolo igual para todas as imagens: mesmo fundo neutro, mesma luz, mesma distância e altura da câmera, mesmas posições do paciente e a data de cada foto anotada. Assim a diferença entre as imagens mostra a evolução, e não a iluminação, que é o efeito que o artigo 11, §2º, alínea f, trata como sensacionalismo.

Com autorização do paciente posso mostrar o rosto?

Não. A alínea i exige garantir o anonimato mesmo quando há autorização para divulgação, e o artigo 75 do Código de Ética Médica veda exibir paciente ou imagem que o torne reconhecível em anúncios, mesmo com autorização.

Posso transmitir uma cirurgia ao vivo?

Não. O artigo 11, inciso VIII, veda expor imagens de consultas e procedimentos transmitidas em tempo real, ainda que com autorização expressa do paciente, e a alínea d do artigo 14 só autoriza filmagem por equipe externa em partos.

E se pacientes postarem o resultado e me marcarem?

Se você repostar, a publicação passa a ser considerada sua, pelo artigo 8º, §3º. E, pelo §4º, publicações de pacientes elogiando técnica e resultado devem ser investigadas pela Codame quando forem reiteradas ou sistemáticas, mesmo sem o seu compartilhamento.

A galeria de antes e depois do site segue a mesma regra?

Segue. A condição do artigo 14, inciso II, vale para a galeria do site: conjunto de casos com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, texto educativo, sem edição, sem identificar o paciente e com a autorização de cada um guardada.

Como uma agência de marketing para cirurgião plástico trata o antes e depois?

Na Tribo, o conteúdo é escrito e desenhado pela equipe e só vai ao ar com a sua aprovação. Quando o tema é sensível, como resultado de cirurgia, a equipe orienta o que cabe antes de produzir, e a parte clínica do texto educativo sai do cirurgião.

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Suas postagens de resultado cumprem o conjunto?

A Tribo produz o conteúdo do seu consultório com texto educativo e a sua aprovação antes de publicar, dentro do artigo 14 da Resolução CFM nº 2.336/2023.

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